Mais de meio século de comunicação para uma audiência fiel e atenta, não só do Espírito Santo, como de outros Estados, onde a emissora pode ser sintonizada, com destaque para Minas Gerais e Bahia. A Difusora foi fundada em 27 de abril de 1953 e foi licenciada na mesma época pela Comissão Técnica de Rádio (CTR), órgão subordinado ao antigo Ministério da Viação e Obras Públicas. A inauguração oficial se deu no dia 16 de julho de 1953, com um show no auditório do edifício Santa Terezinha, rua Expedicionário Abílio dos Santos, com as presenças especiais dos artistas Ivon Cúri e Alcides Gerardi. O show empolgou o público presente no auditório.

     O diretor-presidente da Rádio Difusora de Colatina era o já falecido Geraldo Pereira. Geraldo em entrevista na época assinalava que a emissora transmitiu seus programas do edifício Santa Terezinha durante 17 anos, de 1953 a 1970, ano em que a seleção brasileira de futebol conquistou o tri-campeonato mundial no México.

     O primeiro diretor da Rádio Difusora de Colatina foi o cachoeirense (colatinense de coração) Hostilio Borges, já falecido. Hostilio e seus companheiros tinham como objetivo principal levantar um transmissor clandestino para fazer as coberturas jornalísticas e acabaram se tornando os pioneiros de uma aventura que só viria beneficiar a “Princesa do Norte Capixaba do Espírito Santo".

     Na verdade, a Rádio Difusora de Colatina era um sonho alimentado por Geraldo Pereira e pelo rádio-amador Carlos Boechat Machado, no tempo em que uma rádio AM ainda era uma experiência fantástica. Naquela época – final da década de 40 - Boechat, que também era rádio-técnico, montou um transmissor de AM sem cristal, com freqüência determinada por bobina indutiva, e assim, dada a vontade que tinham de que Colatina possuísse uma rádio, mantiveram em funcionamento o transmissor clandestino durante um ano.

     Na visita a Colatina do então Presidente da República, marechal Eurico Gaspar Dutra, em 1948, a rádio permanecia funcionando clandestinamente, mas fez cobertura jornalística da chegada do mandatário supremo da Nação. Na comitiva presidencial veio também o ministro da Viação e Obras Públicas que era responsável pela radiodifusão no país. O transmissor foi carregado nas costas para que os repórteres pudessem fazer a cobertura da chegada do marechal Dutra. No momento da inauguração do Hospital Sílvio Ávidos (motivo principal da visita presidencial), o ministro da Viação e Obras Públicas perguntou ao locutor Carlos Boechat pela licença da rádio, este respondeu que estava sendo providenciado o pedido de concessão para Colatina e ainda não havia a licença para a rádio funcionar. O ministro – segundo contou Geraldo Pereira – disse sorrindo que a rádio clandestina não poderia funcionar. E parou suas atividades com a promessa do ministro de liberar a concessão tão logo fosse possível. Os idealizadores da emissora ficaram, a partir desta data, aguardando a tão esperada licença da Capital Federal.

     Em 1949 surgiu Hostílio Borges, que, já tendo montado outras rádios e sendo amigo de Salim Kalil (então gerente do Banco do Estado do Espírito Santo), sugeriu a ele a idéia de montar a emissora em Colatina. Hostílio não possuía os recursos financeiros necessários e coube a Salim fazer todo o processo de financiamento através do Banco do Estado. Hostílio Borges ficou como sócio majoritário ao lado de Dirceu Giuberti Matos (cunhado do ex-senador Raul Giuberti). Com a liberação da verba, foi iniciado o processo de criação da Difusora. Como não havia existido abertura de edital de concorrência, a promessa do ministro da Viação e Obras Públicas obedecia o critério do primeiro pedido que chegasse às suas mãos que, neste caso, era de Carlos Boechat. Sendo assim, a licença não poderia ser concedida a Hostílio Borges. Mas, como Boechat não possuía os recursos necessários, acabou desistindo em favor de Hostílio Borges, que traria o benefício para a cidade. Concedida a concessão, os idealizadores da rádio passaram a procurar o local e tecnologia suficientes para tornar o sonho realidade. Em razão das diversas dificuldades financeiras, a Difusora só entrou em funcionamento de fato em 1953.

     Com a desistência de seu amigo Boechat, Geraldo Pereira, que havia participado ativamente para trazer a rádio para Colatina, mudou-se para o bairro do Caju no Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar na filial da Transportadora Colatinense. Depois, ingressou na Aliança Mercantil, matriz das organizações Baratex. Trabalhava como locutor e na expedição de mercadorias, quando não estava participando da inauguração de lojas.

     Em 1954, ainda na mesma firma, Geraldo voltou para Colatina, sem a intenção de se envolver novamente com a rádio. Entretanto, foi convidado a trabalhar na emissora, um ano depois, pelo gerente Barbosa Matos, no cargo de escriturário e corretor. A emissora atravessava, na ocasião, uma difícil situação financeira e, devido a esse problema, o salário de 2 mil cruzeiros que Geraldo Pereira passou a receber atrasava até 5 meses, acontecendo o mesmo com os demais funcionários.

     Durante alguns meses, Geraldo estudou a parte técnica da Difusora e, em seguida, começou a dar assistência técnica ao transmissor, quando foi nomeado diretor-gerente. Seis meses após sua chegada à rádio, a situação da empresa continuava muito difícil, tanto financeiramente como na má qualidade que desagradava os clientes e ouvintes. O racionamento de energia na década de 50 também prejudicou bastante a emissora, fazendo com que ficasse freqüentemente fora do ar. Só com o término desse período, no final da década de 50, é que a situação começou a tomar outros contornos mais positivos. O fim das grandes dificuldades fez com que o comércio acreditasse na publicidade. Em 1962, Geraldo Pereira adquiriu, com seu trabalho dos anos anteriores o controle acionário da Difusora, pagando a mesma quantia a Salim Kalil e Hostílio Borges. Tornando-se proprietário da rádio, Geraldo sentia que começava um novo período.

     No período anterior à Revolução de 64, a rádio teve mais alguns problemas com o Governo. Mas, com o advento do governo militar, ocasião em que a inflação atingiu o nível zero, a Difusora experimentou um grande desenvolvimento. Vencidos todos os reveses, outro sonho passou a existir: a construção da sede própria, já que o prédio do edifício Santa Terezinha, onde a Rádio funcionava, na Rua Expedicionário Abílio dos Santos, era alugado. Em 1969, a rádio passou a ocupar o atual prédio na antiga Rua Independência, 194 e sua sede própria se tornava realidade.

     Em 1953, quando foi inaugurada, a emissora transmitia programas de auditório, do edifício Santa Terezinha, quando vários nomes importantes da música brasileira se revelaram, com destaque para Altemar Dutra, Glorinha e Maria da Penha Luppi. O auditório tinha capacidade para 200 pessoas e os programas sobreviveram de 53 a 58. Moacyr Bastos criou o programa animado diretamente do estúdio com o disc-jóquei. Em 1959, o atual senador Gerson Camata criava o Departamento de Notícias da Rádio.

Durante esses 52 anos de existência, a Rádio Difusora de Colatina adquiriu muito prestígio, principalmente por suas transmissões esportivas, seus programas por carta ou telefone e pelo tradicional Rádio-Jornal Difusora, com as notícias locais, nacionais e internacionais, diariamente às 12:15 horas.